O Banco Central cortou os juros pela segunda vez seguida, mas o cenário por trás da decisão é mais complicado do que parece.
A inflação está subindo, o conflito no Oriente Médio pressiona os preços lá fora e o mercado financeiro já projeta que os preços vão fechar o ano acima do limite permitido. Mesmo assim, o Copom decidiu reduzir a Selic.
A ata da reunião, divulgada nesta terça-feira, explica que, na avaliação do Comitê, os juros altos dos últimos meses já cumpriram parte do trabalho de frear a economia.
Isso abriu uma margem pequena para recuar um pouco sem abrir mão do controle da inflação.
O que o Banco Central disse sobre a inflação?
A projeção do Banco Central para a inflação oficial é de 4,6% em 2026. Esse número importa porque a meta estabelecida pelo governo é de 3%, com limite máximo de 4,5%.
Ou seja, o próprio Banco Central já admite que os preços devem subir mais do que o permitido neste ano.
A prévia da inflação acelerou para 0,89% em abril, pressionada por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,37%, contra 3,9% em março.
O mercado financeiro está ainda mais pessimista e projeta inflação de 4,86% para o ano, acima do limite máximo permitido.
Se a inflação está alta, por que os juros caíram?
O Copom avaliou que manter os juros elevados por tanto tempo já mostrou resultado, desacelerando a atividade econômica e criando condições para novos ajustes.
Os juros altos fizeram parte do trabalho de segurar a economia, agora o Banco Central entende que há uma margem pequena para recuar um pouco sem deixar a inflação escapar do controle.
Ainda assim, o Copom reforçou que o ambiente externo permanece incerto e que os próximos passos dependerão do que acontecer com o conflito no Oriente Médio e seus efeitos nos preços.
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Como a guerra no Oriente Médio afeta os preços no Brasil?
O conflito é o principal motivo de preocupação citado pelo Banco Central. O colegiado avalia que os impactos sobre as cadeias de produção e distribuição podem ser duradouros, especialmente se houver restrições na oferta de petróleo e seus derivados.
O conflito entre Estados Unidos e Irã vêm impactando a navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passavam até 20% do petróleo do planeta e grande parte da produção de fertilizantes do mundo.
Quando esse caminho trava, o efeito chega rápido no preço da gasolina e dos alimentos aqui no Brasil.
Na prática, isso encarece o diesel, a gasolina e os alimentos. E esses produtos estão entre os que mais pesam no bolso das famílias brasileiras.
Leia também: O que são juros abusivos e como identificar
Por que as expectativas de inflação preocupam tanto?
Quando as pessoas acreditam que os preços vão subir, elas passam a agir como se isso já tivesse acontecido. Empresas reajustam preços, trabalhadores pedem aumento e o ciclo se retroalimenta.
O Copom alertou que quando as expectativas de inflação se afastam da meta, controlar os preços fica mais caro e exige juros mais altos por mais tempo.
Desde a última reunião, essa desancoragem ficou ainda mais evidente, especialmente nas projeções para 2028. Não basta só reduzir os juros, o Banco Central também precisa convencer o mercado de que a inflação vai cair.
O que esperar dos próximos meses?
O Banco Central não deu sinais claros sobre o que vai fazer nas próximas reuniões. A postura adotada foi de cautela, com os próximos passos condicionados ao que acontecer com o conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços no Brasil.
A previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 é de 1,6% pelo Banco Central, enquanto o mercado projeta 1,85%. Um crescimento mais fraco reduz a pressão sobre os preços e pode abrir espaço para novos cortes de juros ao longo do ano.
A próxima reunião do Copom está prevista para meados de junho, quando o Comitê terá novos dados de inflação para analisar.
Juros em queda: o que muda para quem precisa de crédito?
Cada redução nos juros tende a baratear o crédito ao longo do tempo. Mas enquanto as taxas ainda estão altas, escolher bem a modalidade de empréstimo faz toda a diferença.
O crédito consignado é uma das opções que menos sofre com esse cenário. Isso porque as parcelas são descontadas direto do salário ou do benefício, o que reduz o risco para a instituição financeira e mantém as taxas mais baixas.
Para trabalhadores com carteira assinada, o Empréstimo Consignado CLT tem parcelas que cabem no bolso, análise de crédito flexível, contratação 100% digital e dinheiro depositado em até 24 horas úteis na conta.
Para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Empréstimo Consignado INSS tem parcelas descontadas diretamente do benefício, com prazo de até 96 meses e dinheiro na conta em até 24 horas úteis após aprovação.
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